Síntese D-Direito: Destaques da Semana 24 à 28 Fev 25

Síntese D-Direito: Destaques da Semana 24 à 28 Fev 25
Introdução do Editor
Na última semana de fevereiro, que antecedeu o feriado de Carnaval, o Congresso Nacional acelerou o passo e se tornou o centro das atenções ao aprovar, em comissão especial, o texto do aguardado e controverso Projeto de Lei das Fake News. A movimentação legislativa pautou o debate jurídico e político em todo o país.
No Supremo Tribunal Federal, uma decisão de grande alcance social consolidou o direito de adoção por casais homoafetivos, transformando a jurisprudência em tese de repercussão geral. Enquanto isso, o Poder Executivo lançava um novo programa de impacto para a educação básica.
A semana foi um retrato do “esforço concentrado” dos Poderes, buscando avançar em pautas relevantes antes da pausa para as festividades.
Análise da Semana
A Síntese D-Direito apurou que o fato jurídico de maior impacto da semana foi a aprovação, na comissão especial da Câmara dos Deputados, do substitutivo final ao Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, ou “PL das Fake News”. Após meses de negociação e audiências públicas, o texto foi aprovado por uma margem apertada e seguiu para o Plenário da Casa.
Na avaliação desta editoria, a aprovação na comissão representa o avanço mais significativo da matéria em anos, colocando o Brasil na iminência de ter um marco regulatório para as plataformas digitais. O texto final buscou um equilíbrio complexo, estabelecendo obrigações de transparência para as plataformas, dever de cuidado na moderação de conteúdo ilícito e mecanismos de remuneração para o jornalismo profissional.
D-Direito entende, contudo, que os pontos mais controversos, como a criação de um órgão regulador autônomo para supervisionar as plataformas e as regras sobre imunidade parlamentar nas redes, continuam a gerar profunda cisão. A OAB e entidades de defesa da liberdade de expressão, embora apoiem o combate à desinformação, já manifestaram preocupação com o risco de o texto final abrir margem para a censura. A batalha agora se transferirá para o Plenário da Câmara, onde a negociação política para a votação final será ainda mais intensa.
Foco Jurídico: As 10 Áreas de Maior Impacto
1. Supremo Tribunal Federal (STF)
Em repercussão geral, STF garantiu direito de adoção por casais LGBTQIA+: O Plenário do STF, por unanimidade, fixou a tese de repercussão geral (Tema 1.300) de que não há qualquer óbice constitucional para a habilitação de casais homoafetivos à adoção. A Corte consolidou uma jurisprudência que já era aplicada, mas a fixação da tese em repercussão geral confere força vinculante à decisão, devendo ser seguida por todas as instâncias do Judiciário, o que representa um marco para os direitos da comunidade LGBTQIA+.
(Fonte: Notícias STF)
2. Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Terceira Turma do STJ decidiu que cláusula de arbitragem em contrato social vincula novos sócios: Em um importante precedente para o direito empresarial, a Terceira Turma do STJ entendeu que a cláusula compromissória de arbitragem inserida no contrato ou estatuto social de uma empresa vincula não apenas os sócios signatários originais, mas também aqueles que ingressam na sociedade posteriormente. A decisão conferiu maior segurança jurídica e eficácia à arbitragem como método de resolução de conflitos societários.
(Fonte: Portal do STJ)
3. Tribunal Superior do Trabalho (TST)
TST validou acordo coletivo que flexibilizou pagamento de horas extras com contrapartidas: A Seção de Dissídios Coletivos (SDC) validou uma norma coletiva que previa o pagamento de horas extras com adicional de 60% (superior ao mínimo legal de 50%), mas permitia o pagamento consolidado no fechamento do trimestre. A Corte aplicou o princípio do “negociado sobre o legislado” (Tema 1.046 do STF), por entender que a norma, em seu conjunto, era benéfica ao trabalhador e representava uma concessão mútua entre as partes, sem suprimir direitos.
(Fonte: Notícias TST)
4. Poder Executivo
Governo Federal lançou o “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa”: O Presidente da República e o Ministro da Educação assinaram o decreto que instituiu o novo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. O programa prevê um investimento de R$ 5 bilhões nos próximos quatro anos em regime de colaboração com estados e municípios, com o objetivo de garantir que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. O ato normativo estabeleceu as diretrizes e as metas do programa.
(Fonte: Agência Brasil)
5. Poder Legislativo
Comissão especial da Câmara aprovou o texto final do “PL das Fake News”: Conforme detalhado na Análise da Semana, o principal evento legislativo foi a aprovação, em comissão especial, do relatório final do PL 2630/2020. O projeto, que cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, avançou para a pauta do Plenário da Câmara dos Deputados após um intenso debate e negociações de última hora.
(Fonte: Agência Câmara de Notícias)
6. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
OAB reagiu à aprovação do PL 2630 com apoio à iniciativa e alerta sobre riscos à liberdade de expressão: Em nota oficial, a OAB Nacional reconheceu a importância de se regulamentar as plataformas digitais para combater a desinformação, mas manifestou “cautela e preocupação” com pontos do texto aprovado na comissão. A Ordem destacou trechos que considera vagos e que podem abrir precedentes para a censura e a violação da liberdade de expressão, afirmando que atuará no Congresso para aprimorar a redação.
(Fonte: Site do Conselho Federal da OAB)
7. Concursos Jurídicos
Anunciado concurso para a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP): A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo recebeu a autorização governamental para a realização de um novo concurso para o cargo de Procurador do Estado. A previsão foi de 100 vagas, com a publicação do edital aguardada para o segundo semestre de 2025. O concurso da PGE-SP é um dos mais concorridos e prestigiados das carreiras jurídicas estaduais.
(Fonte: Diário Oficial do Estado de São Paulo)
8. Doutrina
Lançado o livro “Regulação de Plataformas Digitais e Liberdade de Expressão”: Em um momento oportuno, os professores de direito constitucional e digital, Carlos Affonso Souza e Ivar Hartmann, lançaram a obra que analisou os principais modelos regulatórios de plataformas digitais no mundo. O livro dedicou um capítulo à análise crítica do PL 2630/2020, discutindo seus pontos positivos e os riscos para os direitos fundamentais no Brasil.
(Fonte: Principais Editoras Jurídicas)
9. Tecnologia e Direito
Aprovação do “PL das Fake News” em comissão foi o marco da semana para o direito digital: O avanço do PL 2630/2020 na Câmara dos Deputados foi o fato mais relevante da área, com potencial para redefinir as obrigações legais de todo o ecossistema digital no Brasil. A proposta de criação de um órgão regulador, deveres de transparência algorítmica e responsabilidade por conteúdos impulsionados artificialmente pautaram os debates entre especialistas do setor durante toda a semana.
(Fonte: ConJur)
10. Direito Ambiental
Governo decretou a criação do Parque Nacional da Serra do Divisor no Amazonas: Dando continuidade à sua política ambiental, o Poder Executivo publicou um decreto que criou o Parque Nacional da Serra do Divisor, em uma área de 500 mil hectares no estado do Amazonas, na fronteira com o Peru. A medida visou a proteger uma das áreas de maior biodiversidade do planeta e a combater o avanço do desmatamento na região.
(Fonte: Diário Oficial da União)
Radar Jurídico
- STF publicou o acórdão do julgamento que garantiu a autonomia da ANPD, iniciando a contagem de prazo para eventuais embargos de declaração.
- Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu processo administrativo disciplinar para apurar a conduta de um procurador da República por postagens em redes sociais.
- Estado de Pernambuco sancionou lei que estabelece uma política estadual de combate ao racismo nos estádios de futebol.
- Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) emitiu nota defendendo a prerrogativa do Ministério Público de celebrar acordos de não persecução penal.
FAQ Jurídico da Semana
- 1. O “PL das Fake News” já foi aprovado e virou lei?
- Não. Ele foi aprovado apenas em uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Para virar lei, ele ainda precisa ser votado pelo Plenário da Câmara e, se aprovado, ser enviado para o Senado Federal, onde passará por novas comissões e pelo Plenário. Se o Senado modificar o texto, ele ainda precisa voltar para a Câmara. É um processo longo que ainda levará meses.
- 2. A decisão do STF sobre adoção por casais LGBTQIA+ cria um direito novo?
- Não exatamente. Os juízes de varas de família em todo o país já vinham concedendo a adoção para casais homoafetivos com base nos princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana. O que o STF fez foi transformar essa prática já consolidada em uma tese de repercussão geral, o que significa que, a partir de agora, nenhum juiz no Brasil poderá negar a habilitação para adoção com base unicamente na orientação sexual dos pretendentes.
- 3. O que significa na prática a decisão do STJ sobre a cláusula de arbitragem?
- Significa que se uma empresa estabelece em seu ato constitutivo que todas as disputas entre os sócios serão resolvidas por um tribunal de arbitragem, e não pela Justiça comum, essa regra passa a valer para todos. Se um novo sócio comprar uma participação na empresa, ele adere a essa cláusula automaticamente e não poderá, no futuro, tentar levar uma disputa societária para a Justiça estatal, o que fortalece a arbitragem como método de resolução de conflitos.
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