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Criadora da Lei Maria da Penha critica ‘perdão’ à mãe de Henry Borel: ‘Nada justifica, mulheres não querem bondade, querem equidade’






Lei Maria da Penha: Por Que Mulheres Querem Equidade e Não Apenas Perdão

Lei Maria da Penha: Por Que Mulheres Querem Equidade e Não Apenas Perdão

A discussão sobre violência de gênero no Brasil frequentemente tangencia os limites entre o perdão individual e a necessidade estrutural de justiça. Recentemente, a crítica feita pela criadora da Lei Maria da Penha—direitos fundamentais que transformaram o combate à violência doméstica no país—redefiniu o foco do debate: “Nada justifica, mulheres não querem bondade, querem equidade.” Esta afirmação ressoa profundamente no debate público, forçando a sociedade a confrontar a ideia de que a resolução da violência passa pela mera reconciliação ou pelo perdão. A mensagem é clara e incisiva: a garantia de direitos e a igualdade estrutural são prioridades inegociáveis.

O contexto em que essa declaração surge é de crescente conscientização sobre as complexidades da violência doméstica. Seja o contexto atual de {{#if location}}{{location}}{{/if}}, ou o panorama social mais amplo, o debate aponta para um modelo de justiça que não pode ser emocionalmente mitigado pela compaixão. O foco deixa de ser a esfera privada e pessoal e migra para a esfera legal, onde o Estado deve garantir mecanismos robustos que protejam a vítima e responsabilizem o agressor. Entender a diferença entre “bondade” e “equidade” é, portanto, entender os pilares de uma sociedade justa.

Compreendendo a Crítica: Por Que “Nada Justifica”?

Quando a criadora da lei afirma que “nada justifica”, ela está fazendo um movimento paradigmático crucial: está retirando a justificativa do campo da moral ou da emoção (como a culpa, o vício, o desentendimento conjugal) e jogando-o no campo do Direito e da violação de direitos humanos. O direito, por definição, opera sob a premissa de que o dano é real, e portanto, a resposta estatal deve ser proporcional à gravidade desse dano.

  • A Irrelevância da Justificativa Pessoal: O sistema legal não pode ser conivente. Permitir que a culpa ou o contexto individual sirvam como atenuantes para atos de violência doméstica mina a credibilidade da proteção e perpetua a cultura da impunidade.
  • Foco na Vítima: A ênfase está sempre na segurança e na autonomia da vítima. A história da violência doméstica ensina que a palavra do agressor, muitas vezes, tende a desqualificar a experiência de sobrevivência.

Equidade vs. Bondade: O Pilar da Justiça de Gênero

Este é o cerne da discussão e merece detalhamento. “Bondade” ou “bondade” no contexto social pode ser interpretada como compaixão, misericórdia ou o desejo de apaziguar um conflito. É um conceito subjetivo, emocional e muitas vezes maleável. Por outro lado, Equidade é um princípio jurídico e social. Equidade significa dar a cada um o que é devido, levando em conta as desigualdades históricas e estruturais.

Para o caso da violência de gênero, a equidade exige que o sistema não trate as vítimas e os crimes de forma igualitária em teoria, mas sim proporcionalmente à profundidade da desigualdade de poder que permitiu o crime. A Lei Maria da Penha é o exemplo máximo disso:

  1. Reconhecimento da Vulnerabilidade: O sistema entende que o homem, em uma posição de poder desequilibrado dentro de um relacionamento, pode exercer violência de maneira sistemática e implacável.
  2. Proteção Ativa: Não basta esperar que o agressor se “arrependa” (o que é contingente e não garante a segurança). É preciso que o Estado atue ativamente, através de medidas protetivas, afastando o agressor e garantindo o ciclo de segurança à vítima.

A Lei Maria da Penha: Um Modelo de Proteção Estrutural

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é o arcabouço legal que materializa o conceito de equidade no combate à violência doméstica. Antes dela, a legislação brasileira tratava a violência conjugal de maneira quase íntima, como um “problema familiar”, e não como um crime de lesão corporal ou violação de direitos humanos. A lei mudou esse paradigma.

Seus pilares demonstram o afastamento da “bondade” para a “equidade”:

  • Prevenção e Repressão: A lei não apenas pune, mas obriga a criação de redes de apoio (delegacias da mulher, centros de referência).
  • Medidas Protetivas de Urgência: São ferramentas jurídicas que visam garantir o afastamento físico e psicológico, independentemente do grau de reconciliação ou do desejo do agressor.
  • Visão Sistêmica: A lei reconhece que o agressor e a vítima são tratados em esferas diferentes: a vítima como sujeito de direitos e o agressor como responsável criminal.

As Consequências da Impunidade

Ao focar na equidade, a crítica não está apenas debatendo o caso específico; ela está alertando para as consequências sistêmicas da impunidade. A desvalorização do direito à segurança em nome do perdão individual perpetua ciclos de violência, tanto física quanto psicológica, que atingem gerações inteiras. As mulheres não querem que a sociedade as force a escolhas impossíveis: escolher entre a segurança material e o vínculo emocional.

Portanto, a sociedade civil, o direito e o poder público têm o dever de atuar em três frentes: educação (sobre direitos de gênero), prevenção (mudar padrões de comportamento machistas) e resposta judicial (garantir que a Lei Maria da Penha seja aplicada com rigor e conhecimento sobre a dinâmica do poder). A justiça, nesse sentido, deve ser mais um pilar de apoio do que um bálsamo emocional.

Conclusão: A Prioridade Inegociável é o Direito

A mensagem da criadora da Lei Maria da Penha é um chamado à consciência coletiva: o combate à violência de gênero é uma questão de direitos humanos e não um drama pessoal a ser resolvido pelo perdão. A Equidade garante que o sistema legal sirva como um escudo robusto contra a desumanização. Reconhecer que mulheres querem equidade, e não apenas bondade, é o passo mais importante para transformar o direito em realidade protetora.

Se você se sente em situação de risco ou deseja aprender mais sobre seus direitos, lembre-se: O ciclo de violência só é quebrado com o apoio jurídico e social. Procure sempre a rede de atendimento da mulher mais próxima, como o Disque 180. A força da lei, aliada à conscientização social, é o único caminho para um futuro de igualdade e segurança.


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